Reedição do Pentateuco, 1º livro impresso em Portugal

A Sul, Sol e Sal em colaboração com o Círculo Teixeira Gomes – Associação pelo Algarve apresentou, na Biblioteca do Seminário de Faro, uma edição comemorativa dos 530 anos da impressão do Pentateuco, em Faro, na oficina de Samuel Gacon.

Pentateuco, impresso nas oficinas de Samuel Gacon, em Faro, no ano de 1487, é o mais antigo livro impresso em Portugal. A Sul, Sol e Sal entendeu evocar esse acontecimento histórico editando, na passagem dos 530 anos sobre essa data, uma reprodução fac-similada do exemplar depositado na British Library.

A publicação resultou da coincidência de vontades e do esforço conjunto da editora e do Círculo Teixeira Gomes – Associação pelo Algarve e foi apresentada no dia 30 de junho, pelas 11.30 horas, na Biblioteca do Seminário Diocesano de Faro, em consideração à entidade de pertença do incunábulo, da qual foi retirado durante a incursão do II Conde de Essex.

O caráter simbólico desta data constitui um património que não se circunscreve aos muros de uma cidade. A impressão do Pentateuco é um acontecimento que engrandece a região e é símbolo do peso da cultura algarvia à época.

A presente edição é acompanhada por um estudo introdutório do Prof. Doutor Manuel Cadafaz de Matos, da Academia Portuguesa da História, que contextualiza a edição de Faro do Pentateuco, na História da Imprensa incunabular hebraica portuguesa. No sentido de atribuir um horizonte de leitura mais amplo o estudo introdutório foi traduzido para inglês pela Prof. Ana Isabel Soares, do CIAC, da Universidade do Algarve.

Associou-se ao evento a Fundação Portuguesa das Comunicações e o Agrupamento de Escolas Afonso III.

No contexto da celebração dos 530 anos da impressão do Pentateuco publicou-se, também, um texto escrito pelos alunos das escolas EB Alto de Rodes e EB do Carmo. “Uma grande aventura… No rasto do tesouro perdido” uma ficção histórica que tem como pano de fundo a incursão da armada que saqueou e incendiou Faro levando, entre outras coisas, parte da biblioteca do Bispo do Algarve, D. Fernando Martins Mascarenhas, e da qual fazia parte o Pentateuco.

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SUL, SOL e SAL na BLOCO de NOTAS, em LOULÉ

DSCF6292A Praceta Nascimento Fernandes é um  braço que a cidade estende sobre os campos. A papelaria e livraria Bloco de Notas, na urbanização Jardins de Loulé n.3, loja 2, vizinha do animado Tertúlia e do Centro Hípico, é um espaço discreto onde a algazarra das cores é uma descoberta interior.

Na montra, paletes brancas exibem revistas, livros e cadernos e é o suficiente para percebermos o que o espaço nos oferece.  Artigos de papelaria vários, revistas, jornais, romances, tabaco, jogos infantis.

Ana é uma mulher de cultura e só a tenacidade de quem acredita nos valores do espírito poderia dar braços a uma odisseia como esta. As livrarias estão em crise, a proximidade de um hipermercado é um fator suficientemente inibidor para os mais cautelosos, e nem a proximidade de duas escolas, (note-se que a estrada que as serve é de sentido único e oposto à Bloco de Notas), convenceria a generalidade dos empresários.

A resposta aos novos hábitos de consumo está na diversidade de produtos que se encontram por ali. Se por um lado há uma aposta em artigos de interesse generalizado como é o caso dos jornais e revistas nacionais de maior difusão a Bloco de Notas dá especial atenção a nichos de mercado muito bem definidos. Nos artigos de papelaria encontra-se aquela agenda que foge à norma pelo rigor e pela qualidade, nas cartolinas, nas canetas, nos cadernos há sempre um produto que para além do seu caráter utilitário nos apela à emoção estética, nos desperta um afeto.

É claro que os mais saudosos do tempo das livrarias gostariam de ver as paredes forradas com estantes repletas de todo o género de livros. Encontrar ali canetas, agendas bases de secretária e todo aquele expediente de produtos que ocupavam os escritórios de outros tempos.

As realidades mudam e por isso não é de estranhar que na Bloco de Notas se abra espaço ao tabaco e a outros produtos como as pastilhas elásticas ou as gomas. É a condição que o mercado coloca a quem quer investir em produtos culturais.

Os livros que fazem a oferta inicial da Bloco de Notas estão em grande coincidência com os programas escolares. Os títulos que integram o Plano Nacional de Leitura convivem com livros de exercícios, gramáticas e dicionários.

Roma e Pavia, diz-se popularmente e com muito acerto, não se fizeram num dia. A Bloco de Notas é um espaço em construção, cujas fundações auguram futuro promissor. Assim a cidade seja merecedora de espaços que fogem à ditadura da grande distribuição.